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APRESENTAÇÃO

Este Blog é o produto final do curso "Melhor Gestão, Melhor Ensino", que se configura em uma ação de formação continuada para professores de Educação Básica do Ensino Fundamental II dos anos finais de Língua Portuguesa e Matemática, além de fazer parte do Programa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo - "Educação - Compromisso de São Paulo". O curso em questão tem como objetivo, ampliar a formação dos cursistas para que possam participar de forma mais efetiva das práticas atuais que envolvem a leitura e a escrita em diversos contextos, situações, suportes e mídias. Durante o curso, o Grupo 7 foi formado para que executasse a tarefa de criação de um "Blog de Grupo" para escrita colaborativa. O primeiro passo já foi dado, agora, vamos em frente!

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

RELATO: EXPERIÊNCIA PESSOAL COM LEITURA E ESCRITA

Imagem: valdemibaldo.blogspot.com
Simone Aparecida Crema de Souza

Lembro-me que logo após ter aprendido a ler com certa fluência, por volta dos meus oito anos de idade, em visita à biblioteca da escola observei a capa de um livro, cujo título “Eu vi mamãe nascer”, do autor Luiz Fernando Emediato, despertou-me uma imensurável curiosidade. Ao ver o livro na estante, de capa verde e com um título daquela natureza, quase uma anástrofe que mudava não a ordem das palavras, mas a ordem natural das coisas, não tive dúvida, era preciso entender aquele tema literariamente grandioso e ao mesmo tempo tão contundente para a minha pouca idade.  Desde então, não parei mais de ler.
Ainda criança, li alguns livros infanto-juvenis, outros voltados a um público mais adulto, entre eles, “Operário em construção” de Vinícius de Moraes, “O aprendiz de feiticeiro” de Mario Quintana, “O Seminarista”, de Bernardo Guimarães. Quanto a este, não era muito adequado para a minha pouca idade, pois o trago em minhas lembranças, mais pela leitura imposta do que pela leitura feita por vontade própria.

Antes mesmo de aprender a ler, tive contato com a leitura através de histórias contadas pelos meus avós. Minha mãe é tão adepta a textos literários que até hoje, no auge de seus setenta anos, ainda declama poesias guardadas em sua memória, poemas de Casimiro de Abreu, Cora Coralina, Olavo Bilac,  entre outros. Gosto muito de ouvi-la, gosto muito de ler, mas escrever nunca foi o meu forte. E como não possuo esta dádiva, apoio-me nas palavras do mestre Cândido (2004), ao afirmar que “a literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante”.  E com um pouco mais de lirismo, compartilho a poética de Rubem Alves, ao indagar que “A literatura é um processo de transformações alquímicas. (...) O escritor transforma. O escritor transubstancia.”

RELATO DE EXPERIÊNCIA PESSOAL COM A LEITURA E A ESCRITA

Imagem: magiadaleituraeescrita.blogspot.com
Sandra Regina Ribeiro de Souza Paixão

Engraçado fazer este exercício de pensar sobre como a leitura e a escrita se tornaram importantes em minha vida; num primeiro momento achei que o marco na minha vida  no que diz respeito à prática de escrever e ler teria sido um mas, então, enquanto tomava banho, me dei conta de quando e como estas atividades se tornaram significativas para mim.E, a importância de ambas,tem como personagem principal a mesma pessoa: meu tio Wagner. Estava na pré-adolescência e meu tio, que fazia parte de um grupo de teatro de grande sucesso à época, foi, juntamente com o grupo, excursionar pela Europa.De lá, ele mandava cartas e cartões postais, através dos quais contava suas experiências, suas impressões e da beleza que encontrava em cada lugar que visitava. Eu morava com meus avós e, era eu quem lia estas cartas e cartões para minha avô.Que morria de saudades do filho e, ao mesmo tempo, sentia-se orgulhosa dos caminhos pelos quais o filho trilhava. A partir das informações que lia nos relatos de meu tio e das paisagens que via nos cartões postais, passei a interessar mais por aqueles países longínquos e comecei a ler os jornais, que meu avô comprava ,diariamente, para saber mais sobre aqueles lugares maravilhosos. Percebo, agora, que estas leituras foram as que, de verdade, contribuíram para minha paixão pela leitura..Dos jornais, passei para a literatura e, a possibilidade de conhecer novos mundos,pessoas e outras formas de ver o mundo se ampliaram e este hábito tornou-se uma das minhas paixões favoritas. Quanto à escrita, meu tio Wagner também foi o responsável por incentivar-me a escrever, mostrando-me que eu podia faze-lo. Lembro-me que tinha que escrever um texto sobre Brasília como tarefa das aulas de Língua Portuguesa; tio Wagner estava em Bebedouro, passando férias e ,conversando com ele sobre a atividade, sugeriu-me que escrevesse uma carta para Brasília, como se a cidade fosse uma pessoa.Ele, criativo como era, me ajudou a descobrir a prosopopéia. Consegui escrever um texto interessante,diferente e que foi elogiado pela professora. Mas, na verdade, depois de ter escrito inúmeros  outros textos, acho que o mais importante foi o que escrevi sobre ele. Tio Wagner, que morava no Rio de Janeiro, morreu assassinado durante um assalto; foi mais uma vítima da violência urbana. Depois de algum tempo, a Câmara Municipal apresentou um projeto de lei para que o nome dele fosse dado a uma rua da cidade. Na ocasião, meu tio Wilson, pediu-me que escrevesse um texto meio que biográfico do tio Wagner para ser apresentado à Câmara.E eu o fiz. Mas, não consegui escrever atendo-me apenas a sua biografia. Quando o tio Wilson terminou de ler o texto, ele chorou. E percebi que, mais do que apenas relatar sobre a vida dele, eu tinha conseguido falar  da minha admiração e afeto pelo meu amado tio.

RELATO PESSOAL - EXPERIÊNCIA DE LEITURA/ESCRITA

I
Silvana M. Moreli
Desde muito cedo, por volta dos meus cinco anos de idade, me apaixonei pelas “letras”. Queria desvendar o mistério daqueles símbolos que, um a um, se juntavam, “davam-se as mãos” e formavam o que, segundo a minha mãe, eram as “palavras”: apaixonei-me (também) por elas!
Imagem: ilha-da-lindalva.blogspot.com
Minha mãe, costureira de profissão, desenhava as letras em seu "caderno de medidas": para cada cliente, um nome diferente (Tereza, Cida, Geni, Lurdinha, "Lola", "Bimba", Olga, Raruco...), uma medida diferente... Eu viajava em cada movimento da sua mão segurando o lápis ou a caneta. Com linhas ou sem linhas no papel, as palavras flutuavam, dançavam, seguiam uma coreografia leve e suave... às vezes um pouco mais rápida, mas, artisticamente, nobre.  A letra da minha mãe era, aos meus olhos de criança, arte, na mais sublime expressão da palavra.
Por falta de oportunidade, minha mãe estudara pouco, apenas até a quarta série do antigo curso primário, porém, fora diplomada, com louvor, pela escola da vida e, com essa distinção, me guiou com maestria ao caminho das letras.
Aos cinco anos, fiz o pré-primário e, tamanha era a minha avidez por aprender, que já sabia juntar as sílabas, formar palavras e... ler! Uma cartilha “Caminho Suave” chegou até as minhas mãos: devorei-a! É certo, no entanto, que a minha leitura apresentava alguns tropeços, mas estes não foram empecilhos para que eu desanimasse ou desistisse de aprender, ao contrário, me impulsionaram a seguir aprendendo. Afinal, queria ler como a minha mãe, sem tropeçar, sem gaguejar... como se as palavras fossem borboletas saindo da boca em um voo suave e colorido.
Adorava ouvir as histórias que minha mãe lia para mim. Às vezes, ela as repetia, mas eu não me importava com isso: a cada dia sua voz me remetia a uma nova história, a uma nova viagem... Além disso, não havia muitos livros em casa (o pouco que havia era fruto de doações) e não havia dinheiro suficiente para adquirir novos exemplares: eu percebia isso! Contudo, aprendi, também com a minha mãe, a amar os livros e a respeitá-los: “os livros têm sentimentos, têm alma, têm vida própria e sofrem como nós. Cuide muito bem deles, não os machuque, não os maltrate!”
Lia muito, lia de tudo, qualquer coisa. O percurso feito de ônibus da vila onde morava (Vila Hortolândia) até o centro da cidade (Jundiaí-SP.), por exemplo, repleto de outdoors, placas, pichações, grafites... era, para mim, o paraíso das letras, o grande mistério a ser desvendado – e eu tinha a chave! Lia tudo, avidamente, e queria mais!
Fui contagiada pelo fascínio das letras e, desde então, não consegui parar. Sim, fui contaminada pelo vírus da paixão pela leitura e pela escrita. Cura? Melhor não pensar nessa hipótese...

II

Morávamos em Jundiaí-SP, eu, meu pai e minha mãe, na Vila Hortolândia, em uma época em que as pessoas pareciam não ter tanta pressa: havia tempo suficiente para, pelo menos, cumprimentar umas às outras com um sorriso nos lábios, um aceno, um “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”.
Imagem: http://historiasvalecai.blogspot.com
Um casal de vizinhos – “seu” Augusto e “dona” Noemia –, foram  grandes incentivadores para o aprimoramento da minha competência leitora. O que eles faziam? Todos os dias, sentávamos na varanda dos fundos da casa deles e o “seu” Augusto, muito terno, entregava-me um jornal. Naquela época, aquele jornal, parecia maior do que eu; pesava em minhas mãos e as letras eram tão miúdas! De repente, todos esses devaneios eram interrompidos  pela voz do “seu” Augusto dizendo: “Leia para nós, por favor!”. Às vezes ele escolhia a notícia, o artigo que seria lido, em outras, porém, ele pedia para que eu mesma escolhesse. 
Ah! Eu me sentia tão importante com aquele jornal nas mãos! Eu lia! Eu sabia ler! Ficava radiante quando o “seu” Augusto e a “dona” Noemia olhavam para mim admirados e diziam que eu lia melhor a cada dia. No alto dos meus seis, sete anos de idade, eu não tinha a real dimensão da importância do gesto desse casal. Graças a ele procurava aprimorar a leitura e, graças a ele, até hoje, não consigo passar indiferente perto de um jornal: o “seu” Augusto e a “dona” Noemia me mostraram, mesmo que de forma bem simples, o quão importante é ler, buscar a informação, nos inteirarmos do que acontece à nossa volta, na nossa cidade, no nosso país, no mundo, afinal, fazemos parte desse contexto. Este casal era o centro de uma família bastante humilde, sem qualquer ostentação. Viviam de maneira muito simples, sim, mas, fizesse chuva ou sol, o “seu” Augusto voltaria para casa com o jornal do dia. 
III
Tia Maria não era, de fato, minha tia, ela era esposa do filho da madrasta do meu pai. Parece confuso dito dessa maneira, mas, é isso. E, voltando ao início, Tia Maria era professora. Sim, professora! E, ao pronunciar  esta palavra, naquele tempo, soava como uma reverência. Tia Maria e tio Tuninho moravam no centro da cidade, na Rua XV de Novembro (Jundiaí-SP.), tinham  uma bela casa e viviam muito bem com seus dois filhos: Antonio Carlos e Rosângela.  Com frequência, íamos visitá-los. Ir para a casa da tia Maria, para mim, representava muito, era motivo de festa, melhor do que ir a um parque de diversões. Ainda com meus sete, oito anos, admirava a tia Maria, queria ser professora também: tia Maria ensinava um monte de alunos, era respeitada por todos, era fina, falava baixo, tinha um timbre de voz bem suave, trejeitos leves... Era muito educada! Normalmente íamos à tarde, por volta das dezesseis horas e, na chegada, uma mesa farta estava pronta, à nossa espera, com  café, chá, leite, sucos, vários tipos de pães, tortas, doces e outras guloseimas... Era muito bom!  Mas, o que eu gostava mesmo, era de ficar observando a enorme estante de livros da tia Maria.
Imagem: http://visaodigital.org
Imagem: http://espaconarizinho.blogspot.com


Parecia uma livraria! Folheava um e outro livro, demorava um pouco mais nas capas de alguns, nas encadernações... Sentia a textura dos papeis nos meus dedos e o cheiro de cada um... Hummm! Perfume francês! Foi numa dessas idas à casa da tia Maria e numa das inúmeras visitas à sua estante que eu ganhei um livro que marcou para sempre a minha vida: “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Não sei quantas vezes (re)li esse livro, mas o Sítio do Picapau Amarelo marcou a minha infância; Monteiro Lobato me fez sonhar e trago sempre comigo, até hoje, um pouco de pó de pirlimpimpim para não deixar que a vida perca a sua magia.